Ribeirinhos se dizem reféns de ‘ratos d’água’ na região das Ilhas

Assaltado pela quinta vez em menos de um ano na própria residência, localizada na Ilha do Chagas, que fica no complexo das Ilhas do Pará, o agricultor Manoel Hermógenes Furtado, de 58 anos, procurou o Diário nesta sexta-feira (28) para pedir auxílio da polícia amapaense no combate aos ‘ratos d’água’ que vem atuando naquela região, e que seriam oriundos de Macapá e Santana.


“Nossa ilha está dentro da área do município de Afuá (PA), mas a polícia paraense nunca passou por lá. Quando ocorre algum crime de morte, ou lesão corporal, nós temos que recorrer à polícia do Amapá. O próprio Bope já fez operações na minha região, mas na maioria do ano ficamos sem essa proteção. Aí, viramos alvos fáceis dos bandidos”, desabafou o agricultor que declarou ter pedido R$ 16 mil no último assalto, ocorrido no sábado (22). A renda era fruto da venda de açaí.

O agricultor Manoel é categórico ao afirmar que ‘ratos d’água’ agem sempre em bando. Ele revela como os bandidos conseguem informações sobre os locais onde vão atuar de forma criminosa.

“Eles [ratos d’água] chegam nessa região sempre em número de quatro, cinco. Eles usam voadeiras para deslocamento rápido e na maioria das vezes agem sempre na madrugada. Funciona assim: apenas um deles passa durante o dia na voadeira fazendo o reconhecimento do local.

Em uma das vezes que minha casa foi assaltada o cara parou no meu trapiche, desembarcou dizendo que estava com problemas no motor. Ele ficou por cerca de meia hora. Ofereci café, água e conversamos. E no meio da conversa ele acabou me perguntando se eu morava sozinho com minha esposa e cai na besteira de dizer quem morava comigo.

Na madrugada essa mesma voadeira atracou no porto. Ai já eram cinco bandidos, encapuzados. Eles mataram os três cachorros à bala. Fugimos para o mato ao ouvir os disparos. Eu tinha um dinheiro guardado da venda do açaí que eles acabaram encontrando. Ainda levaram vários objetos”, revelou.

.